Serei eu, ou será que todos os pais passam por isso ao vê-los crescer.
Num dia temos umas crianças que se aninham no nosso colo, que procuram os nossos mimos e no outro temos adolescentes que evitam mostrar afectos em público. Num dia temos bebés indefesos, noutro jovens à procura do seu espaço. Deixamos de nos preocupar com fraldas, leite, arranhões e medos, e passamos a preocupar com frustrações, crises existenciais e medos.
Faço por não perder nada do crescimento deles, por não perder nenhuma actividade, estar o mais possível presente, tentar ajudar, orientar e colocar betadine nas feridas da alma.
Todos os dias temos dúvidas se a educação que lhes damos é a melhor, todos os dias somos postos à prova.
Sei que nem sempre tomo as melhores decisões, mas sei que faço o melhor.
O resultado não saberei hoje, saberei daqui a uns anos, e já não faltam muitos, quando forem adultos.
Acredito que o exemplo que tiverem dos seus pais durante o seu crescimento os moldará para o futuro, seja ele para fazer o bem ou o mal, estarem presentes ou ausentes.
Não quero que sejam como eu, mas que pelo menos que tenham a força de lutar pelo que desejam e acreditam, que não desistam, que não atropelem ninguém no processo de luta, que sejam justos, que procurem a vitória, respeitem quem perde, e aceitem as suas derrotas como incentivo de fazer melhor na próxima. Que cresçam com força, objectivos e valores.
Vê-los entrar na adolescência faz-me pensar se eduquei bem e apesar de estar preparado para abrir a porta da gaiola sinto saudades de quando eram pequenos.
O importante é estarmos sempre atentos. Mas acredito que a adolescência de hoje é bem diferente daquela que nós tivemos , daí ser muito complicado conseguirmos saber se estamos a educar bem ou não. Ainda continuo a acreditar que o nosso exemplo de pais vale muito. Por isso, se és bom pai, bom filho terás. :)
Também acredito nisso, mas a resposta só se terá mais à frente. É verdade que apesar de uns deslizes não me posso queixar deles. A adolescência deles é diferente da nossa, tal como a nossa foi da dos nossos pais e isso sempre aumentou a dificuldade em fazer o trabalho de pai.
Filhos...criados, trabalhos dobrados. Não existe fórmula, nem manual. Existe sim, a nossa entrega incondicional, onde nela cabem todos os ensinamentos, valores e princípios que defendemos em prol de um mundo melhor e da felicidade dos nossos filhos.
A questão ainda não são os trabalhos dobrados, estou é na fase em que, estando eles a entrar na adolescência pensar que adultos serão. Como disse, é resposta que só irei ter daqui a uns anos. E claro, confesso as saudades deles como bebés e crianças.
Percebo o teu ponto de vista. Mas tudo tem o seu tempo. Não adianta fazer planos, nem escrever por linhas direitas, no que toca aos filhos, é sempre uma "agradável" surpresa, sai tudo ao contrário. Aproveita todas as fases, esta da adolescência tem o seu quê de pertinente, mas ainda assim..., consegues apertar o cerco. A parte dos trabalhos dobrados ainda não chegou. E tens razão para sentir saudades deles bébés e crianças, aí sim, o nosso super poder de protecção era controlado apenas por nós. É a fase em que apesar do sono não estar em dia, o coração bate tranquilo. Beijinhos
Revejo-me neles naquela idade, o querer conquistar o espaço, e o que me "assusta" é que me revejo no meu pai naquela nas mesmas situações. Dei por mim hoje a acordá-los às 10 e 30 e a lembrar o que irritava quando o meu pai fazia isso.
Não tens que ser uma cópia do teu pai, mas sim, uma identidade própria e única para os teus filhos. Eles vão sempre gostar de ti, mesmo que os acordes ás 10h30 ou ao meio-dia, o mais importante é a forma como o fazes, e com a qual te identificas.
Não se trata de ser cópia, mas de perceber o porquê de não deixar ficar mais na cama. Cada um tem a sua identidade, mas lá está, valores que me foram incutidos ao longo do meu crescimento acompanham-me agora, e assim espero que consiga incutir-lhes também.
Consegues incutir desde que acredites nesses valores por ti mesmo, sejam válidos nos tempos atuais e se coadunam com a personalidade dos teus filhos. Por vezes aquilo que nos foi incutido pelos nossos pais, nem sempre funciona nas mentalidades, prioridades, objetivos e formas d viver atuais, que os filhos abraçam. É claro, que o nosso papel é orientar, ensinar, educar e principalmente proteger. Mas, devemos conversar e compreender os seus motivos, para podermos impor limites dentro do razoável para as duas partes.
Claro que nem tudo o que me foi transmitido se consegue transmitir para os tempos actuais, tudo tem a sua evolução e adaptação, sempre foi assim e sempre assim será. Mas as bases e os valores terão de existir e essa é a nossa função. Claro que limites terão de existir, e a porta vai-se abrindo aos poucos, para que se possam ir habituando a mais liberdade, responsabilidade, e não ficarem deslumbrados e perderem-se na ilusão de algo que ainda não conseguem dominar, a vida.
Tenho a certeza que és um excelente pai, medos e receios relacionados com a educação dos nossos filhos e principalmente com o seu futuro irão sempre existir. A tarefa principal de formar caráter e afetividade não é só do pai, mas sim de toda a família. Tem que ser um todo, e não apenas uma parte. Os filhos seguem exemplos, fixam os modelos, por isso é importante que exista coerência familiar.
Beijinhos pá, agora deixa lá os miúdos dormir mais um bocado ao fim de semana ..ehehehhe
Claro que não é só do pai essa função, felizmente essa coesão existe. Mas a incerteza do futuro existe sempre. Mas eu deixei dormir mais que o normal. ;)