Gostei de ver os policias subir a escadaria da Assembleia. Gostei de ouvi-los gritar "invasão, invasão", e ao chegarem às portas da Assembleia, qual decisão irrevogável de Portas, voltam para trás e desistem. Seria bonito alguém invadir e ocupar a casa da democracia mostrando que aquela casa é do povo e não dos políticos, e os policias estiveram perto. Marcaram a sua posição é certo, mostraram a sua força o seu descontentamento de uma forma que nunca nenhum outro manifestante pôde fazê-lo porque do outro lado das barricadas são eles que costumam estar a impedir.
Numa situação dessas, pensasse eu em subir um degrau lá estaria a policia a impedir logo de o fazer, quanto mais conseguir subir a escadaria toda. Tentasse eu abraçar um policia e beijar-lhe a viseira, seria logo agraciado com umas festas de bastão nas costas e contaria todos os degraus da Assembleia com a cabeça. Foi notório que houve o cuidado de evitar novamente confronto entre policias como houve há muitos anos atrás no Terreiro do Paço, que eles puderam ir até ao máximo possível e que só houvesse tentativa de invasão é que do outro lado da barricada, os policias que estavam a trabalhar e não podiam manifestar-se é que lhes fariam frente. Jamais os "laranjinhas" que estão no poder gostariam de repetido o episódio dos "secos e molhados" tal como evitaram a manifestação na Ponte 25 de Abril com medo da história repetir-se na altura do buzinão, tudo isto era Cavaco Silva o nosso primeiro-ministro.
Agora acabemos com a hipocrisia, mas os policias não são diferentes dos restantes manifestantes, e muitos dos problemas que os afectam são os mesmos que os 10 milhões de portugueses têm, e nas próximas manifestações deixem os outros gritar à porta da Assembleia tal como eles o fizeram, porque a maioria dos manifestantes que lá se deslocam são tão ordeiros e nem tapam a cara como alguns dos policias que lá estavam.
Foi interessante ver ontem Nobre a assumir que disse que encabeçava uma lista do PSD mas que não assumia a posição de deputado eleito se não fosse Presidente da Assembleia da Republica. E dizia isto com a convicção que ao fazer isto mostrava desapego ao poder. No mínimo esquisito.
Foi também interessante ouvi-lo dizer que depois das eleições se veria então qual o contributo pode dar e em que posição. E estava convicto que continuava a mostrar desapego ao poder e independencia.
Gostei de o ouvir dizer que estava na lista do PSD porque simpatizava e acreditava em Pedro Passos Coelho, sem sequer ter noção do programa de governo dele, ou no mínimo as linhas orientadoras desse programa.
Gostei de saber que também foi sondado pelo PS, mas aí, se calhar, não lhe ofereceram o lugar da Presidencia da Assembleia.
Gostei de o ouvir porque não fui um dos enganados que votou nele para a Presidência, e de que apesar de não votar PSD, não fui ontem enganado por um discurso de um Nobre Troca-Tintas.
Com tantas qualidades humanas que pautou no desempenho da medicina, que se mantenha por lá, que o respeito nessa área por até se mantém, e deixe a politica, porque não é de certeza o seu ramo.