... encontro-me ausente numa certa parte do país, a gozar o S. João e a ver os burros passar.
Até daqui a uns dias.
Já passaram alguns dias após a festa de S. João, mas só com o regresso a casa posso falar sobre ela. Não é no Porto, mas numa aldeia na Beira Baixa que se faz a festa que mais me encanta. Com ela remete à lembrança às poucas ligações com o meu avô, homem seco, com poucos gestos de carinho, mas que neste dia, era eu criança me levou à volta à aldeia a cavalo no burro, hoje menos, muito menos que naquela altura, sendo já a volta feita quase só por cavalos. A criança cresceu, virou adolescente e regressou novamente à festa e já era eu que levava o burro num dia longo mas que os Monforteiros, descendentes e também os que por união ou casamento tanto gostam. O adolescente que era, um homem virou e com o ciclo da vida deixou de ter avô. Neste dia já não pode aproveitar para participar na festa, simplesmente vê-la, aprecia-la, fotografá-la sempre que lá vou. Dificilmente conseguirei proporcionar a experiencia de participar na festa aos meus herdeiros, porque vê-la é diferente de senti-la e vive-la.